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O Dia Mundial de Conscientização do Autismo está chegando

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo se aproxima. Como mãe de dois meninos dentro do TEA, sinto que a parte mais difícil é a falta de conscientização e conhecimento da população em geral. É alta a incidência do TEA em todo o mundo, e a falta de informação e de entendimento têm causado um impacto com graves consequências  na vida desses indivíduos e seus familiares. Como jornalista tenho a convicção sobre o papel fundamental da imprensa neste processo de quebras de paradigmas através da informação de qualidade. Por isso, peço à vocês a atenção necessária que este assunto merece.

No dia 02 de abril, data instituída pela ONU, milhares de pessoas em todo mundo levantam a bandeira azul com o intuito de alertar governantes e sociedade, e desmistificar sobre a condição.  De acordo com a ONU existem 70 milhões de pessoas no mundo dentro do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), no Brasil não há estatísticas oficiais, estima-se que sejam mais de 2 milhões. Relatório divulgado em 2018 pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos apontam para 1 caso a cada 59 crianças.

A conscientização do autismo deveria acontecer todos os dias, é algo importante e necessário, tanto para sociedade que precisa aprender a aceitar e respeitar o que lhe foge a regra, quanto para classe política e gestores públicos que precisam criar políticas voltadas à essa população.  

Importante ressaltar que, como falamos em um espectro a intensidade dos sintomas varia de pessoa para pessoa. Não existem duas pessoas iguais dentro do TEA.  Uma pessoa no extremo do espectro pode ter seu comportamento bastante comprometido enquanto no outro extremo temos as mentes brilhantes. Ao longo desses extremos, temos milhares de crianças com total capacidade de aprender e tornar-se indivíduos independentes, com vidas bem próximas ao considerado normal. No entanto, a falta de profissionais capacitados em todas as áreas condena a maioria dessas crianças a uma vida de segregação e dependência. 

Em Vilhena por exemplo, não temos um neuropediatra ou psquiatra infantil na rede pública, para o diagnóstico e acompanhamento dessas crianças. Não temos profissionais da psicologia, pedagogia, fonoaudiologia, entre outros, qualificados em Análise do Comportamento Aplicada -ABA (Applied Behavior Analisys), campo da Análise do Comportamento,   indicada pela Organização Mundial da Saúde como única linha de  tratamento baseada em evidencias científicas.  Não temos escolas que façam uma verdadeira inclusão.

Lembrando que incluir não é aceitar. Incluir é tornar o aluno parte daquela classe, através de atividades adaptadas às suas necessidades. É tornar possível o aprendizado através de um Plano de Ensino Individual (PEI), amparado na Legislação Federal (Lei de Diretrizes e Bases da Educação – Lei 9394/96).

Incluir não é fazer salinha separada só com alunos especiais. Inclusão é um todo, é um trabalho feito simultaneamente pela família, escola e comunidade. Não se pode entrar onde as portas estão fechadas pela falta de conhecimento. É necessário comprometimento de todas as partes. 

Também não se tem dados precisos sobre o número de pessoas dentro do TEA. Apenas a Secretaria Municipal de Educação, através da educação especial, consegue listar através dos alunos que frequentam a rede municipal. São 60 crianças com diagnóstico fechado, destas, nem metade recebe algum tipo de tratamento. O município, através do CER, não consegue atender essa demanda. E então essas crianças perdem um tempo precioso de suas vidas em filas de espera, para receber terapias muito aquém do necessário para seu desenvolvimento. 

Karina Andrade, Jornalista/DRT-7210

2019

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